O final dos anos 90 e inicio dos 2000 foi marcado por uma nova “moda” no meio do rock. Limp Bizkit, Linkin Park, Korn, Papa Roach dentre outras bandas foram ganhando muitos adeptos.
Lembro de um amigo que viajou aos EUA e voltou com aquelas calças 10 números maior do que o número dele, camisas enormes, tênis de skatista e bonés de baseball virados pra trás. Alguém resolveu chamar o “novo estilo” de new metal (deixando muitos metaleiros revoltados por não admitirem que a tal música fosse colocada no “pacotão”do metal). O estilo era explicado como sendo a mistura do rap com o metal.
No meio disso tudo, uma banda chamada P.O.D (sigla que significa payable on death, ou pagável na morte) surge em San Diego com influências de hardcore, rap e reggae. A banda se destacou de uma maneira impressionante. Apesar de se auto-denominar uma banda cristã (o que sempre foi claro em suas letras), a banda conseguiu um grande espaço no mainstream (tocava na rádio, MTV e participava de festivais – não, não estou falando de rádios, programas de TV e festivais “góspeis”).
Hoje estamos chegando no final dos anos 2000 e o estilo já não é mais tão famoso assim. As bandas “carro-chefe” do “novo metal” tiveram que se reinventar, pois tudo indicava que a velha fórmula já não satisfazia (principalmente os que esperam ansiosamente por uma nova moda pra mudar seus guarda-roupas e seus playlists). Com o POD não foi diferente. Depois do renomado Fundamental Elements of Southtown (1999) veio o seu maior sucesso, Satellite (2001). Este álbum lança a banda ao estrelato e inclusive os presenteia com uma participação na trilha sonora do filme Matrix Reloaded. Em 2003, Marcos Curiel, guitarrista da banda é “demitido” e Jason Truby (ex-Living Sacrifice) assume as guitarras. A partir daí, este que vos fala começou a perder o interesse pela banda. Confesso que a falta do peso das guitarras do gordinho Marcos e seus berros me fizeram sentir saudades. Com o new metal perdendo sua força, a banda começa a trabalhar mais os arranjos e deixa o peso um pouco de lado. Em 2006, o quarteto lança o segundo disco sem o guitarrista original, Testify.
Testify parece voltar ao estilo que consagrou o POD, mas sem jogar fora os arranjos trabalhados que a banda incorporou com a entrada de Truby. Então eu pensei: “POD está voltando!”
No mesmo ano que o disco foi lançado, todos fomos surpreendidos com a notícia de que Marcos estava de volta à banda (abrindo mão de sua banda com o ex-Grammatrain, Pete Stewart, The Accidental Experiment).
Neste ano de 2008, é lançado o disco When Angels and Serpents Dance. POD de volta à sua formação original. E finalmente, é sobre ele que eu originalmente iria escrever.
Fiquei feliz com a volta de Marcos Curiel (vocês lembram que eu gosto dos seus riffs e berros né?). De primeira ouvida gostei do álbum apesar de estar esperando algo mais pesado.
A primeira faixa, Addicted, começa o álbum com um riff totalmente POD. Sonny (sem seus dreadlocks) lembra os velhos tempos arriscando alguns gritos e fala sobre o vício de maneira bem explícita e impactante. Logo em seguida temos Shine With Me, uma música mais leve e que tem um refrão bem diferente do que estamos acostumados a ouvir da banda. O vocalista Sonny deixa um pouco de lado o rap e investe em melodias vocais. Gostei bastante do resultado. Depois temos Condescending e em seguida, It Can’t Rain Everyday, que copia a fórmula de sucesso de Youth Of The Nation (do álbum Satellite) e Goodbye For Now (do álbum Testify). Apesar de lembrar outras músicas, o riffzinho da guitarra é bem interessante e a letra fala de situações desesperadoras, como a de uma garota que não consegue se encaixar num grupo de amigos e é ridicularizada, um pai de família que é despedido e uma grávida que descobre que sofreu um aborto e usa a chuva como uma metáfora para o sofrimento mas lembra que o sol ainda vai nascer, pois a chuva não pode durar pra sempre.
Seguindo esta balada, temos a mais diferente do álbum, Kaliforn-Eye-A, com uma levada bem funkeada e com a participação de Mike Muir (da ótima e velha Suicidal Tendencies). A música, carregada de gírias e expressões, fala sobre a California e surpreende no meio quando vira um hardcore, lembrando os primórdios do POD. I’ll Be Ready, pra não perder o costume, é um reggae e conta com a participação das Marley Sisters. Então chega a hora de End Of The World, embalada com uma melodia bem bonita e diferente do que o POD está acostumado a fazer. A música, logicamente fala do fim do mundo e é uma crítica à falta de amor que estamos vivenciando em nossos dias. Na minha opinião é uma das músicas mais bonitas que a banda já fez. This Ain’t No Ordinary Love Song também aposta na melodia vocal e não tanto em riffs pesados e apresenta um resultado bom. Em seguida temos a pancada God Forbid, que conta com a participação de Page Hamilton da ótima banda Helmet). É a música mais pesada do CD e me fez lembrar as antigas pauladas do POD, como Outkast, Portrait, Masterpiece Conspiracy e outras. Ao ouvir essa música um sorriso brotou em meu rosto rs.
Outra característica dos álbuns do POD é que sempre temos uma faixa instrumental. Nesse disco não poderia ser diferente, e então surge Roman Empire, uma música melancólica com solos que me fazem lembrar porque gosto do Marcos Curiel (isso já tá enchendo né?). Logo depois temos a música tema do disco, When Angels And Serpents Dance que compara a vida com uma dança entre anjos e serpentes e questiona quem está te guiando nessa dança? Alguém tem que guiar a dança. A música é bem parecida com muita coisa que o POD já fez e na minha opinião é a mais fraca do disco. Chega a vez de Tell Me Why, uma linda música guiada por violão, baixo e violinos. A letra é uma crítica à guerra e fala contra matar pessoas em nome do que achamos que é o certo. Um soco no estômago dos pró-guerra que apoiam o banho de sangue que tem acontecido em nome seja de Jesus ou de Alá. Outra música surpreendente, bem diferente do que estamos acostumados a ouvir o POD fazer. Por último, temos Rise Against que é um desafio para que levantemos em prol do que acreditamos e critica o saber muita coisa, mas não fazer nada.
No total, o álbum é bem interessante e bem diferente do que esperava. O POD mostra que não está limitado à fórmula do new metal e que tem sobrevivido durante todos esses anos, e espero que ainda nos presenteie com muitos albuns criativos e desafiadores como esse.



