Cristãos em todo lugar celebram tudo aquilo esse fim de semana — o coração do Evangelho trata de morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. A ressurreição em particular, tem sido visto pela igreja histórica como o aspecto mais importante da fé cristã. Paulo disse que se não houve ressurreição somos os “mais infelizes dos homens” (1 Cor 15:18). A ressurreição de Jesus não é apenas vista como um evento histórico que celebramos; é uma dimensão crítica da nossa própria existência como cristãos.
A ressurreição abriu a porta para Jesus entrar inteiramente na presença de Deus e de seu poder representando a raça humana. Foi aqui que Ele foi elevado à “destra” de Deus como Senhor (kyrios). Conseqüentemente, Ele agora é o “Espírito que dá vida” (pneuma soopoioun) e, como tal, é poderosamente presente entre nós, seus seguidores. Jesus é o Senhor vivo e aquele que é a fonte do Espírito que nos muda como pessoas e nos faz nova criatura (2 Cor 5:17).
Essa é a base da afirmação de que a morte não pode nos derrotar; que o pecado não nos pode destruir. Em Cristo somos ligados ao poder pessoal, transcendental, transformador que nos liberta da “lei do pecado e da morte.” (Rm 8:2). De alguma forma o poder liberado no momento da ressurreição (um poder que continua sendo “presente” em Cristo), continua a triunfar sobre o mal e sobrepuja o que de outra forma teria nos conquistador nesse mundo. A ressurreição nos concede a oportunidade de nos tornar participantes em uma “nova era” e uma “nova criação”. A essência do cristianismo está enraizada na ressurreição. É por isso que Paulo escreveu, “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (1 Cor 15:14).
Um cristianismo sem cruz.
Apesar da ressurreição falar de vitória e conquista, a estrada para a ressurreição foi pavimentada com sofrimento. Isso é problemático porque o conceito de sofrimento tem desaparecido do horizonte da fé da igreja de hoje. Um grande motivo é o advento da tecnologia moderna.
É difícil para nós, modernos, sentirmos a dureza do mundo antes da tecnologia moderna. A vida era cruel. Sem encanamento ou sistema de aquecimento central; sem Tylenol ou antibióticos. Uma das maneiras mais comuns de se morrer era por causa de um dente inflamado. Mesmo com um “esforço de Hércules”, coisas simples como abrigo e comida diária estavam fora do alcance da pessoa ordinária. Sofrimento fazia parte da história de todos. Nesse tipo de mundo, simplesmente agüentar o sofrimento já era um grande feito. Sobreviver um dia (ou hora) até o próximo era o foco para a maioria. Como resultado, a maioria vivia com a idéia de que o sofrimento era parte da vida.
Hoje nossas expectativas são bem diferentes. A tecnologia empurrou o sofrimento pra escanteio de forma que o vemos como uma exceção e não norma. E, honestamente, o sofrimento nos choca. Os modernos não são exatamente gratos pelos confortos da vida moderna; nós esperamos por isso – exigimos isso, de verdade. Se nossas expectativas são interrompidas pela tragédia ou doença, nos sentimos roubados; vimos isso como injusto. Cem anos atrás, essa mentalidade seria considerada um pouco louca e completamente irracional.
Essa mentalidade também forma nossa vida espiritual. Santos modernos têm, abundantemente, sido nutrido de uma teologia de conquista – uma teologia que conhece apenas o conforto e a vitória. Graças a Deus por esses, mas tantos são tão focados no conforto e na vitória que perdemos a crua, cândida e abrasiva estrada que faz essas graças serem possíveis. Existe uma fé sem cruz, sem agonia, sem Getsêmani, que domestica a história de Jesus, fazendo ela legal, limpa e com “censura livre”.
Mas foi Paulo que disse que nós só podemos “conhecer a Cristo e o poder de sua ressurreição” se estivermos dispostos a entrar na “comunhão dos seus sofrimentos “ (Fp 3:10). Esse texto sugere que se queremos entrar no poder da ressurreição, precisamos de uma pausa para deixar o sofrimento de Jesus nos tocar. Lembra das palavras de Jesus, “Felizes os que choram, porque serão consolados” (Mt 5:4)? Mas não queremos chorar. Queremos ir direto para a vitória. Queremos “um jeitinho”, uma “solução”. Não queremos enfrentar o sofrimento de Cristo para provar e experimentar esse sofrimento.
Infelizmente, um dos culto menos frequentados é a Sexta-Feira Santa. Nós cristãos do ocidente evitamos a dor e o horror daquele dia. Somos tão condicionados ao triunfalismo como uma cultura que taticamente pensamos no poder do domingo efetivamente aniquilando o Gólgota. Mas não existe vitória sem o sofrimento horrível que aconteceu no Getsêmani até a cruz. A ressurreição não anula nossa necessidade de encarar a cruz. Imaginar isso é perigoso e sem coração. Isso banaliza efetivamente as feridas do Cristo crucificado.
Walter Brueggemann escreveu: “Apenas aqueles que abraçam a realidade da morte receberão nova vida … Eu achava curioso que, quando tinha que citar um versículo obrigado, alguém iria inevitavelmente dizer, ‘Jesus chorou.’ É um jeitinho de evitar ter que falar um versículo maior. Mas agora eu entendo a profundidade desse verso. Jesus sabia o que os dormentes precisavam aprender de novo: (a) que chorar deve ser real porque os fins são reais; e (b) que chorar permite um renovo. O Seu choro permite que o reino venha. Tal choro é desabador porque ele significa o fim de todo machismo; chorar é algo que reis raramente fazem sem perder seus tronos. Mas, a perda do trono é exatamente o sentido…”
Não devemos tentar sanear o que Jesus fez. Precisamos entrar na Sua Paixão juntamente com sua dor e seu devastamento; a crueldade e injustiça; a amargura e perda. Aqui abraçamos toda a história (não apenas a parte boa). E abraçar toda a história torna a redenção mais rica.
Que você experimente tanto a alegria quanto a dor da Páscoa nesse ano.
Leia o texto original aqui




Muito bom o texto Markeetoo.
É um grande dilema esse negócio d sofrer pois ninguém gosta disso, mas realmente é algo q deveria fazer parte d nossa vida, se de fato a nossa vida espelha a vida de Cristo.
Acho q todo cristão quando se convertesse deveria fazer o estágio d adaptação à selva q eu fiz, pra entender q vida cristã é assim. hehehehe
Me identifiquei muito com a idéia do texto pois voltei da selva pensando assim mesmo e até pedí a Deus pra me ensinar a viver uma vida de sofrimento e assim tá mais perto dEle.
Valeu, abração.
Ótimo texto que nos leva a refletir sobre a necessidade do sofrimento, que é algo que inevitavelmente tentamos evitar a qualquer custo. Mas a nossa redenção é oferecida por meio do sangue e da dor. E isso nós não podemos nos olvidar de lembrar sempre. Me lembrou bastante outros textos do C. S. Lewis e do Philip Yancey.
olha o texto nos mostra que a forma pela qual jesus conseguiu a nossa redenção, foi através do sofrimento. Coisa que depois a igreja na idade média explorou o sofrimento como forma de redenção dos cristãos e seres humanos.
Penso que este pensamento de sofrimento como forma de redenção perante Deus, é uma coisa que ja foi superada do ideário cristão a mais de trezentos anos.
Entretanto, não podemos confundir sofrimento com consumismo, pois somos filhos do consumismo, e se não temos o novo jeans que saiu na televisão ou o novo telefone celular da apple, nos sentimos inferiorizados.
Lógico que na vida passamos por sofrimentos, e seria bom se aprendessemos com os nossos sofrmentos. Agora fazer apologia do sofrimento é de uma ideia que não comungo, pois se temos os avanços tecnológicos da ciência para nos livrar de uma dor ou um problema de saúde temos que usar . Pra terminar , quero dizer que a mudança de um cristão não passa necessariamente pelo sofrimeno e sim, pela humildade dos nossos corações para reconheçer nossos erros e mudarmos de forma cristã o nosso ser e nosso dia a dia e sabermos o que nos edifica e nos constroi. “Pois tudo é licito, mas nem tudo é permitido”
Acho que nosso querido amigo Zezé (francisco) não entendeu muito bem. O texto não faz apologia ao sofrimento, apenas salienta que o sofrimento nos fortalece. Jesus nos diz pra tomarmos nossa cruz, isso é sofrer. Tomar a cruz é morrer pra si, e isso é sofrer. Ninguém “morre” sem sofrer.
Parabéns pelo novo visual do nosso site e pelo trabalho de traduzir textos tão profundos e edificantes. O sofrimento é o instrumento que Deus se utiliza para nos aperfeiçoar. é uma “lapada”contra o evangelho da graça barata que propaga um cristianismo sem dor, diametralmente oposto ao estilo de vida de Jesus de Nazaré.