“Vazio sem esperança. Agora você acertou. Muitas pessoas aceitam o vazio, mas é preciso muita coragem pra ver a desesperança.”
Essa foi uma das muitas frases que me marcaram ao assistir o filme Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, 2008), um filme de Sam Mendes com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet repetindo a parceria de Titanic em papeís e situações completamente diferentes.
Eu odeio quem conta partes importantes de um filme que ainda não vi e pretendo ver, então se você não viu o filme e se importa, como eu, fique longe do texto pois posso soltar algum spoiler pelo meio.
O filme trata de um casal, Frank Wheeler(DiCaprio) e April Wheeler(Winslet. April é uma atriz decadente e Frank, seu marido, trabalha em um escritório. Eles têm dois filhos. É a clássica família dos filmes americanos e todos admiram os Wheelers, acham que eles tem “algo especial”.
A rotina de trabalho do Frank, que costumava ser um cara divertido e sonhador, vai lhe transormando aos poucos, e logo Frank se vê traindo sua esposa. April, que não gosta de morar no subúrbio (aquelas lindas casinhas distantes da cidade – grandes e sem muros) está desiludida com essa vida e tem uma idéia: se mudar para Paris, cidade que Frank visitou durante a guerra e adorou. Eles juntariam o dinheiro que tinham, iriam pra lá. April iria trabalhar e Frank teria tempo pra pensar na vida e dedicar tempo pra o que quer que seja o que lhe interesse. De início, Frank acha a idéia irrealista, mas logo percebe que odeia a situação em que estão vivendo e topa.
Todos os vizinhos, amigos e companheiros de trabalho passam a considerá-los loucos e irresponsáveis por decidirem abrir mão de toda a estabilidade e ir arriscar uma vida assim. Então começa a pressão em cima de Frank, o homem da casa.
Eu não vou contar o fim do filme, mas me chamou muita atenção esse ato de se deparar com uma vida vazia e sem esperança, dedicando seu tempo pra algo que você não gosta, destruindo seu relacionamento com quem você se importa, por causa do peso da responsabilidade. É bem nítido no filme o conflito interno de Frank que odeia a situação em que está, mas sente que sua responsabilidade como homem adulto, é de ficar no seu emprego estável, aceitar a promoção que lhe é proposta e sustentar sua casa, mesmo que sua casa esteja uma bagunça, seu relacionamento com sua mulher por um fio e sua realização pessoal no zero.
Como saber a hora de largar o que estamos fazendo por um bem maior? Em certo momento Frank diz que a idéia de April é irrealista, ela responde: “Não Frank, irrealista é um homem com uma boa cabeça continuar trabalhando ano após ano em um emprego que ele não suporta. Vir pra casa em um lugar que ele não suporta, pra uma esposa que assim como ele não suporta essas coisas. E sabe qual a pior parte? Toda nossa existência aqui é baseada na premissa de que somos especiais, que somos superiores a tudo isso. Mas não somos. Somos como todos os outros! Nós compramos essa mesma ilusão ridícula. De que temos que desistir da vida e se acomodar a partir do momento que temos filhos. E estamos nos punindo por isso.”
Como cristãos, é triste notar que muitos de nós também estamos “comprando” essa ilusão. A vida com Deus deveria ser algo transformador, que subverte os moldes impostos pela sociedade, que é realmente uma contra-cultura, que não se importa com status e bens. Mas muitas vezes, somos apenas freqüentadores de igreja, que ouve música gospel, usa roupa gospel, come em lanchonetes gospel, somos consumistas gospel. Como Rob Bell diz, é possível você seguir todas as regras da religião – e da sociedade – e viver de maneira infeliz e miserável.
É triste ver nossos jovens cheios de vida, de idéias revolucionárias, de disposição, tendo que se amoldar aos padrões da sociedade para serem respeitados, porque senão, todos nos olham como loucos irresponsáveis. Mais triste é ver o povo de Deus seguindo a correnteza.
Não estou dizendo que todos deveríamos largar nossos empregos e fazer o que der na telha, estou falando de vida medíocre, sem vida e igual à todo mundo.
A comodidade nos adormece, e quando percebemos, a vida passou e nós ficamos pra trás.
“Te desafio a se mover. Te desafio a se levantar do chão como se o dia de hoje nunca tivesse acontecido antes.” Switchfoot – Dare You To Move
Markeetoo




O filme é excelente. Tem uma temática forte e um apelo universal, pois todos nós jovens passamos por questionamentos e dilemas parecidos.
O texto também está maravilhoso. A citação de I Dare You to Move foi bem apropriada. Também acrescentaria Meant to Live, que dá essa agulhada na galera. We are meant to live for so much more. Have we lost ourselves?
Muito bom. PArabéns!
Acho que o contentamento com a vida pode ser dissociado de bens supérfulos… Podemos estar bem com os mais novos produtos da indústria ou não.
Nem sou de comentar em blogs, mas a referência da música do switchfoot foi brilhante. O complemento do Micael com “Meant to Live” foi muito legal. Gostei muito do texto. fui!
o texto está realmente muito bom. logo q terminei de assisti esse filme passei algumas horas calada, pensando sobre essa questao de se acostumar, se acomodar com uma realidade que na verdade é pura ilusao, pq aceitamos as infelicidades, a rotina, os sonhos falidos, colocamos a possibilidade de sermos inteiramente felizes nas gavetas..e prosseguimos com esse peso…
mas.. como o micael falow: We are meant to live for so much more. Have we lost ourselves?
que possamos nos encontrar em Deus. q promete a vida abundante. vida plena q de fato vale a pena viver!
eeu sei o que essas pessoas tão passando….=/
mais qualquer hora dessa eu tbm me liberto…
falow