• Conheça Seu Inimigo

    O Green Day é daquelas bandas que todo mundo conhece. O trio californiano que começou a ganhar notoriedade com o álbum Dookie em 1994 definiu muito do que foi a cena punk ou pop punk da época. Muitas cópias surgiram e sumiram com o tempo, mas o Green Day, mesmo com a “moda” punk sendo deixada de lado pra dar espaço para outra, permaneceu firme entre elogios e críticas severas da mídia/público.

    Um marco na carreira do Green Day foi o disco de 2004, American Idiot, uma opera rock, ou álbum conceitual, como Tommy do The Who ou The Wall do Pink Floyd, um disco que da primeira à última faixa conta uma história. Era perceptível a maturidade da banda que deixava de falar sobre meninos vestindo a roupa da mãe e passavam a criticar acirradamente a sociedade pró-guerra americana. Muitos críticos consideraram American Idiot o álbum do ano.

    De lá pra cá a banda só fez pequenas aparições na mídia, incluindo uma parceria com o U2 na música The Saints Are Coming, numa iniciativa para arrecadar dinheiro para compra de instrumentos dos músicos prejudicados pelo furacão Katrina em Nova Orleans, e um projeto paralelo chamado Foxboro Hot Tubs.

    O novo disco era muito aguardado, já que seria a nova empreitada da banda desde o aclamado American Idiot e foi recepcionado com críticas positivas.  Confesso que à primeira ouvida não me atraiu muito, mas com o tempo o álbum foi soando melhor aos meus ouvidos. O disco possui uma atmosfera bem semelhante ao American Idiot e também é uma opera rock que conta a história de Christian e Gloria dividida em 3 atos – 1º Ato: Heroes and Cons; 2º Ato – Charlatans and Saints e 3º Ato – Horseshoes and Handgrenades.

    Gosto da maneira do Green Day levantar questões relevantes a nossa realidade contestando a “máquina” que funciona ao nosso redor que busca nos manipular, sendo esta o governo, a mídia, a religião ou o que for. Algumas músicas retratam a falta de referencial e de sentido na vida que muitos vivenciam hoje. Como a música Before The Lobotomy diz Dreaming/I was only dreaming/Of another place and time/Where my family is from (Sonhando/Estava apenas sonhando/ Com outro lugar e tempo/ De onde minha família veio) e a música Restless Heart Syndrome que diz I’m A victm of my symptom/I AM my own worst enemy/You’re a victm of your symptom/ You are your own worst enemy/ Know your enemy (Sou uma vítima do meu sintoma/ Sou o meu próprio pior inimigo/ Você é uma vítima do seu sintoma/ Você é o seu próprio pior inimigo/ Conheça seu inimigo) e tantas outras falam dessa dor de se viver numa sociedade vazia e que busca valores vazios, como o disco chama, a era estática.

    O álbum não dá uma solução a todo esse caos, mas leva à reflexão. Eles não têm a pretensão de resolver o problema, e nem deveriam. É um disco que é bem mais profundo que muitos produtos pré-fabricados de rimas fáceis e frases prontas que afirmam ter uma solução e entender todos os problemas do mundo, mas que soam vazios como um balão.
    Musicalmente falando, se você não gostou do American Idiot, passe longe. Se você gostou, ouça com vontade.

    Markeetoo

    Este conteúdo foi enviado em terça-feira, junho 16th, 2009 às 11:49 e está na categoria Reflexões. Você pode acompanhar as respostas através do RSS 2.0 feed. Você pode deixar uma resposta, ou fazer um trackback de seu website
  • 4 Comentários

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    1. (marta)No Gravatar
      jun 16th

      eu gosto muito de ver a evolucao do greenday, como eles estao se tornando críticos e uma voz diferente e consistente no mundo musical, que tantas vzs só fala bestera..ou o obvio.

      gostei bastante do cd novo tb. :D

    2. EdjaneNo Gravatar
      jun 16th

      “O Green Day é daquelas bandas que todo mundo conhece “…menos eu, que vergonha!
      Mas pelo conteúdo do seu comentário deve ser boa mesmo.

    3. Camila (Enxakeka)No Gravatar
      jun 18th

      Acredito que o Green Day cresceu assim como os fãs lá do Dookie (eu!), não dava pra continuar só falando besteira vivendo nos dias de hoje… Evoluir é preciso… Jovem, me empreste o cd novo que não escutei ainda =P

    4. Micael SilvaNo Gravatar
      jun 23rd

      Gostei do post. A análise está perfeita. Já dei uma ouvida geral no album, mas não me detive no signifcado profundo da história que ele conta.

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