Na Natureza Selvagem (Into the Wild, USA 2007) de Sean Penn.
Depois de se formar, todo jovem recebe a carga de decidir o que quer da vida e se tornar adulto definitivamente. Essa passagem assustadora da vida não parecia afetar o jovem Christopher McCandless, personagem real, interpretado por Emile Hirsch. Christopher era o típico bom moço. Boas notas, boa vida, bom filho. Mas vendo a vida matrimonial decadente de seus pais, a vida vazia do cotidiano urbano, toma uma decisão surpreendente: abandonar tudo e todos para viver no ostracismo, em contato com a natureza e os livros.
Ao longo da jornada de Alexander Supertramp (o novo nome adotado por ele), percebemos o quanto ele avança em busca do conhecimento de si mesmo, da reconciliação com a natureza e a fuga do modelo de vida ocidental. Porém, vemos que seus breves contatos com as pessoas que conhece pelo caminho, nunca são cultivados a fundo, pois Supertramp se nega a dar valor aos relacionamentos.
Com uma interpretação intensa, Emile Hirsch evolui em sua carreira como um ator de método e identificação total com seu papel. Tanto nas cenas em que segura o filme sozinho, quanto naquelas em que contracena com outros atores, sempre revelando um personagem que se afeiçoa por um estilo de vida, mas é incapaz de se apegar a outros seres humanos, por mais que haja respeito e carinho entre eles, mesmo que essas pessoas nutram sinceros sentimentos de afetos por ele. Porém, é na parte final do filme que Emile Hirsch se transforma e demonstra ser um ator muito mais completo que seus filmes anteriores poderiam sugerir, mérito que pode ser dividido com Sean Penn, que mostra-se como um ótimo diretor de atores.
Isso porque os coadjuvantes marcam o filme com performances igualmente competentes, começando pelos pais de Christopher, William Hurt e Marcia Gay Harden, na tela, que com pouco tempo na tela, exibem dor e sentimento de culpa. Jena Malone, cuidando mais do ofício de narradora. Catherine Keener, uma hippie que faz o estilo mãezona para “Alex” e um pouco ressentida com o fato de não ver os laços, quando ele sempre finda por afastar-se. Kristen Stewart, o único relacionamento com uma garota de Alex, também longe de ser desenvolvido e alimentado, acaba frustrado pela fuga do protagonista. E, por fim, Hal Holbrook, o velhinho solitário, que talvez é quem mais evidencia essa falha em Alex Supertramp. Em suas conversas sobre amizade, Deus e a natureza, os dois se afiam e compartilham a vida, mas é com uma tristeza singular nos olhos de Holbrook que percebemos na despedida, uma conversa inacabada, seu desejo de cultivar mais aquela amizade, enquanto mais uma vez Supertramp obstina-se em isolar-se para o seu mundinho de aventuras, solitude e natureza.
A vida de Christopher McCandless, ou Alex Supertramp é uma bela lição para todos nós, que somos sugados pela rotina e pelo compromisso de assumir coisas, ser mais um soldadinho de chumbo nessas esteira de produção que muitas vezes, nos impede de apreciar a vida. Porém, sua experiência também nos move a valorizar nossos relacionamentos interpessoais. Afinal, a vida deve ser compartilhada e não devemos nos olvidar de nossa natureza gregária, que somos membros uns dos outros e nessa vida, a interação com o próximo é o que torna significativa nossa passagem pela terra, quando marcamos positivamente a vida de outros iguais a nós. Christopher McCandless tentou fugir disso, mas mesmo em sua reclusão e isolamento, marcou a vida de todos que passaram por ele e hoje, graças a este filme brilhante, marca nossa vida também.




É um filme maravilhoso que fala bastante comigo toda vez que assisto.
É engraçado ver como somos extremistas. A maioria de nós valoriza os relacionamentos (de certa forma) mas exclui qualquer relação com a natureza e com a vida fora dos padrões que nos é imposto.
Gosto de ver o inconformismo do Supertramp e quero ter em mim pelo menos um pouco disso, aprendendo a importante lição ensinada no filme, é claro.
Um espetáculo à parte também, é a trilha sonora do Eddie Vedder. Genial.
Enfim, um filme pra se ver pelo menos 1 vez por ano e pra se gravar tantas frases maravilhosas que são ditas ao longo do longa rs.
Exelente filme, ótima história, me vez ver algumas faces de alexander supertramp dentro de mim… boas e ruins, destaco também a trilha sonora que é simplesmente linda!
[...] a morte poderá extinguir.” No texto, ele também menciona outro filme que já foi comentado aqui em nosso site, que é o Na Natureza Selvagem, que traz a célebre frase: “A felicidade só é [...]