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    Enviado em outubro 3rd, 2009

    Escrito por Micael Silva

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    A Felicidade Só É Real Quando Compartilhada

    Na Natureza Selvagem (Into the Wild, USA 2007) de Sean Penn.

    Depois de se formar, todo jovem recebe a carga de decidir o que quer da vida e se tornar adulto definitivamente. Essa passagem assustadora da vida não parecia afetar o jovem Christopher McCandless, personagem real, interpretado por Emile Hirsch. Christopher era o típico bom moço. Boas notas, boa vida, bom filho. Mas vendo a vida matrimonial decadente de seus pais, a vida vazia do cotidiano urbano, toma uma decisão surpreendente: abandonar tudo e todos para viver no ostracismo, em contato com a natureza e os livros.
    Ao longo da jornada de Alexander Supertramp (o novo nome adotado por ele), percebemos o quanto ele avança em busca do conhecimento de si mesmo, da reconciliação com a natureza e a fuga do modelo de vida ocidental. Porém, vemos que seus breves contatos com as pessoas que conhece pelo caminho, nunca são cultivados a fundo, pois Supertramp se nega a dar valor aos relacionamentos.
    Com uma interpretação intensa, Emile Hirsch evolui em sua carreira como um ator de método e identificação total com seu papel. Tanto nas cenas em que segura o filme sozinho, quanto naquelas em que contracena com outros atores, sempre revelando um personagem que se afeiçoa por um estilo de vida, mas é incapaz de se apegar a outros seres humanos, por mais que haja respeito e carinho entre eles, mesmo que essas pessoas nutram sinceros sentimentos de afetos por ele. Porém, é na parte final do filme que Emile Hirsch se transforma e demonstra ser um ator muito mais completo que seus filmes anteriores poderiam sugerir, mérito que pode ser dividido com Sean Penn, que mostra-se como um ótimo diretor de atores.
    Isso porque os coadjuvantes marcam o filme com performances igualmente competentes, começando pelos pais de Christopher, William Hurt e Marcia Gay Harden, na tela, que com pouco tempo na tela, exibem dor e sentimento de culpa. Jena Malone, cuidando mais do ofício de narradora. Catherine Keener, uma hippie que faz o estilo mãezona para “Alex” e um pouco ressentida com o fato de não ver os laços, quando ele sempre finda por afastar-se. Kristen Stewart, o único relacionamento com uma garota de Alex, também longe de ser desenvolvido e alimentado, acaba frustrado pela fuga do protagonista. E, por fim, Hal Holbrook, o velhinho solitário, que talvez é quem mais evidencia essa falha em Alex Supertramp. Em suas conversas sobre amizade, Deus e a natureza, os dois se afiam e compartilham a vida, mas é com uma tristeza singular nos olhos de Holbrook que percebemos na despedida, uma conversa inacabada, seu desejo de cultivar mais aquela amizade, enquanto mais uma vez Supertramp obstina-se em isolar-se para o seu mundinho de aventuras, solitude e natureza.
    A vida de Christopher McCandless, ou Alex Supertramp é uma bela lição para todos nós, que somos sugados pela rotina e pelo compromisso de assumir coisas, ser mais um soldadinho de chumbo nessas esteira de produção que muitas vezes, nos impede de apreciar a vida. Porém, sua experiência também nos move a valorizar nossos relacionamentos interpessoais. Afinal, a vida deve ser compartilhada e não devemos nos olvidar de nossa natureza gregária, que somos membros uns dos outros e nessa vida, a interação com o próximo é o que torna significativa nossa passagem pela terra, quando marcamos positivamente a vida de outros iguais a nós. Christopher McCandless tentou fugir disso, mas mesmo em sua reclusão e isolamento, marcou a vida de todos que passaram por ele e hoje, graças a este filme brilhante, marca nossa vida também.

    Este conteúdo foi enviado em sábado, outubro 3rd, 2009 às 14:16 e está na categoria Artigos, Reflexões. Você pode acompanhar as respostas através do RSS 2.0 feed. Você pode deixar uma resposta, ou fazer um trackback de seu website
  • 3 Comentários

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    1. markeetooNo Gravatar
      out 7th

      É um filme maravilhoso que fala bastante comigo toda vez que assisto.
      É engraçado ver como somos extremistas. A maioria de nós valoriza os relacionamentos (de certa forma) mas exclui qualquer relação com a natureza e com a vida fora dos padrões que nos é imposto.
      Gosto de ver o inconformismo do Supertramp e quero ter em mim pelo menos um pouco disso, aprendendo a importante lição ensinada no filme, é claro.

      Um espetáculo à parte também, é a trilha sonora do Eddie Vedder. Genial.

      Enfim, um filme pra se ver pelo menos 1 vez por ano e pra se gravar tantas frases maravilhosas que são ditas ao longo do longa rs.

    2. carlão!No Gravatar
      out 7th

      Exelente filme, ótima história, me vez ver algumas faces de alexander supertramp dentro de mim… boas e ruins, destaco também a trilha sonora que é simplesmente linda!

    3. [...] a morte poderá extinguir.” No texto, ele também menciona outro filme que já foi comentado aqui em nosso site, que é o Na Natureza Selvagem, que traz a célebre frase: “A felicidade só é [...]

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