Estou descobrindo esses dias que eu simplesmente não sei lidar com ela. Ela surge em minha frente com um sorriso preguiçoso, apresentando milhões de possibilidades que há algum tempo eu não conseguia visualizar, parece inocente, inofensiva, mas quanto mais me aproximo para conhecê-la…mais me assusto!
Férias.
Esse ano eu não vou viajar para conhecer lugares novos e ou rever velhos conhecidos, dessa vez não vou para nenhum sítio ou interior para me aventurar, esse ano eu simplesmente estou em casa.
Fazia um tempo que eu pensava sobre isso: como seria parar todas essas atividades que me ocupam 24 horas e simplesmente não ter despertador me levantando apressada da cama?
E acreditem, na realidade é assustador! Descobri que não sou muito confortável comigo mesma, talvez eu nem sequer seja uma boa companhia, é bem mais fácil ter milhões de coisas e pessoas em volta, sem ter que lidar com o silêncio de estar unicamente…sozinha…sem nada para fazer.
Como é automático…acordo..ligo meu computador, conecto no MSN, gtalk, twiter, facebook, fotolog, Orkut, formspring, abro os blogs e sites de noticia, e qualquer outro meio de que ligue a milhões de outras vozes pelo mundo. Mas…percebi que de férias, nem sempre eu tenho assuntos super legais para falar, tem horas que parece que tudo fica branco, não tenho nada pra comentar, responder, criticar…
Então, leio alguns pedaços de livros, assisto filmes, arrumo algumas vezes o quarto, resolvo organizar as pastas no computador, jogo videogame, passeio pelos canais na televisão, e descubro que ficar parada olhando o céu pela janela…me assusta. É complicado demais pensar que o relógio ta ali, passando, e eu aparentemente não estou fazendo nada de…útil?
Quem foi que me disse que eu precisava de atividades para me sentir útil? Aonde foi que me ensinaram que o silêncio é perigoso? Por que dormir, ficar com preguiça na cama, não planejar nada mirabolante para o dia se tornou tão errado?
Bem, eu poderia agora fazer uma exortação malcriada mandando você desligar tudo e experimentar o silêncio, eu poderia contar que o Rob Bell tem um Nooma tão interessante sobre esse assunto, eu poderia inclusive, combinar com algumas pessoas para irmos na sua casa e desligar a chave geral propositalmente… mas…dessa vez eu vou parar por aqui e curti o barulhinho da chuva no telhado lá fora e a penumbra aconchegante do meu quarto…em plena tarde…




normalmente somos bombardeados com pensamentos de que se não estamos fazendo nada, estamos desperdiçando tempo, ou que somos preguiçosos (em alguns casos é a verdade rs), porque medimos nosso valor por quanto produzimos. Esquecemos que momentos de silêncio são necessários. De descanso tb.
Belo texto!
eu tambem tenho dificuldades comigo mesmo…
bom texto!
Belo texto que só poderia ser elaborado nessas circunstâncias. O ócio pode ser criativo, se a mente continuar trablhando. Ela nunca pode tirar férias.
Aproveite porque daqui a pouco a turbulência da vida volta a te encontrar. 2010 está só começando.
Essas férias eu já tirei ano passado. Acredite, ninguém entendeu até hoje… quer saber? Curta o barulho da chuva, as formigas formando caminhos no cantinho da parede, as “pequenas” coisas da vida que muitos nos ensinam em silêncio ou talvez gritando por um minuto de nossa atenção. Nem sempre curtir o silêncio é fruto de solidão ou depressão. Boas férias! =)
Concordo com o Micael. Várias vezes tive essa experiência e de um dois anos pra cá é que eu soube como lidar com esse tipo de situação.
O que parece ser minimalista na verdade é uma grande experiência para se conhecer e conhecer o mundo.
“É no silêncio que o mundo interior fala em alto e bom som!”.
Beijos, Marta. Ótimo texto e boas férias!
Imagine agora que você vive de férias! Não apenas dezembro e janeiro, mas fevereiro, março… pois é.. eu já não sei se vou suportar abril.
Sim que no meu caso não é exatamente férias… cuidar de um bebê dá muito trabalho, mas nada que exercite a mente. Cheguei a essa conclusão quando tudo que consegui dizer pra um garoto de 13 ano foi: “uxucuxa que bonito” sim, eu realmente disse isso.