Acredito que uma das maiores tentações que enfrentamos na nossa vida é a de nos conformamos. Somos facilmente seduzidos pela possibilidade de uma vida “tranqüila” sem muitos aperreios e perturbações. Imaginamos a casinha no campo, as crianças correndo no quintal. Ou mesmo, o apartamento bem localizado, com carro na garagem, meninos nas melhores escolas e comida na mesa todo dia.
Quando crianças sonhamos com coisas aparentemente absurdas, queremos ser astronautas, cientistas malucos, mágicos de circo, inventores de brinquedos, e outras profissões que vão dando espaço a outras bem mais realistas e que tenham em alguma faculdade; a adolescência, contudo, não vem só para isso, normalmente somos acometidos de desejos revolucionários, não concordamos com nada, criticamos a tudo e todos, e achamos que podemos mudar o mundo! Então, chega a mocidade, os empregos se tornam rotina, os movimentos estudantis, utopia, e nos transformamos em apenas mais um por trás da mesa de escritório, mais um pai que chega cansado no final do dia, mais um marido que esquece o aniversário de casamento, mais uma esposa-mãe que trabalha, cuida dos filhos, da casa, estuda, e ainda tem que andar de salto…
Viramos clichês ambulantes com um peso imenso de decepções e falta de vontade. Longe de mim ser contra famílias e empregos, muito pelo contrario, acredito que é justamente nessa parte da engrenagem que as coisas devem começar. Não se conformar com o clichê não é abandonar o emprego e virar hippie, porque acredito que até um aventureiro pode simplesmente responder a lista de estereótipos e não mudar absolutamente nada.
Jesus nos chama para sermos parte de uma revolução grandiosa que começou com homens comuns: pescadores, cobradores de imposto, fazedores de tendas etc … Homens que à primeira vista não tem muita coisa para oferecer, contudo, uma vez impactados pelo poder da Vida transformaram o mundo. Uma transformação que começa por dentro, atinge mente, coração, e vai tomando todas as partes da nossa existência, isto é, tudo que ocupa as nossas 24h diárias. Nós fomos chamados para viver muito mais do que uma vida de clichê, uma vida em abundância transborda e impacta os outros ao nosso redor. Se conformar com o clichê nos faz caminhar lentamente para a morte, primeiro vão os nossos sonhos, depois o nosso prazer, depois ligamos o automático e sequer vemos a vida passar…
Que hoje sejamos os melhores professores, médicos, advogados, maridos, esposas, filhos, faxineiros, estudantes, engenheiros, pastores, garçonetes, amigos, motoristas… que não nos conformemos com este século, que não deixemos nosso cérebro entrar no automático, que não nos adaptemos ao clichê, que enxerguemos o prazer de viver, de acordar de manhã, de viver em família, de ter um trabalho, de poder respirar e ser a parte de um povo chamado para uma evolução que começa todo dia: hoje.




Viver no mundo, vivendo a vida comum do mundo sem se amoldar é um desafio e tanto. Essa que é a aventura.
Ótimo texto.
Revolução. Me sinto sempre muito elétrico quando se fala nisso. Pena, que muitas vezes pecamos por esperar que ela venha entre um e outro embalo da rede. Entre um e outro bocejo.
Parabéns pelo texto!