Correndo sem cansar. Rápido e com os olhos num horizonte qualquer. Vou como se estivesse fugindo de algo ou de alguém. Numa velocidade incrível. E de repente caio num buraco, que seu fundo é o teto do meu quarto. Então, acordo.
Esse sonho sempre reprisa. Tanto quanto Lagoa Azul no meu tempo de espectador de Sessão da Tarde. Acredito que esse curta-metragem, guardado há tempos em algum cantinho do meu cérebro, é tão antigo que ainda é rodado numa fita VHS na minha cabeça. Esse filme está em cartaz para mim desde moleque. E sei que não é exclusivo. Já ouvi várias pessoas falando que costumam ter esse mesmo sonho. O que me faz pensar: Será uma pane na Matrix? É um viral tipo “Pedro, me dá meu chip”? Será o vídeo preferido dos cérebros? Ou, pode ser que esse evento realmente tenha ocorrido, mas foi meu Avatar quem viveu.
Sonhos costumam ser estranhos e algumas vezes reveladores. Ou, forçamos uma revelação em alguns deles. Por exemplo, o pensamento que me veio agora é o seguinte: Pode ser que seja um vídeo de alerta que o cérebro roda pra gente quando estamos fugindo de alguma coisa que não deveríamos estar fugindo. E o resultado disso pode ser cair num buraco.
No período de exibição desse filme, pode ser que eu esteja vivendo num momento de fuga. Correndo desesperadamente de alguma coisa e meu cérebro esteja dando a dica de que estou correndo para um buraco.
Outro exemplo é o sonho de estar andando tranquilamente pelas ruas e de uma hora pra outra, levanto as pernas e começo a voar. Vou vendo tudo de cima e sem medo de cair.
Quando ando, lentamente, calmamente, a história do sonho termina melhor. Termina com o ator principal vendo as coisas por cima, chegando mais rápido, sentindo-se mais seguro. E por fim acordando melhor. Porém, esse de estar voando, reprisa menos. Como um filme quase novo e que serve de curinga da emissora. Só é exibido em sessões de maior ibope. Uma pena.
Concluo que quando corro, caio num buraco. Quando ando, sou capaz de voar.
Acho que estou vivendo um sonho. Tenho vivido correndo, fugindo e tenho caído em buracos e sempre acordando mal e muito assustado. Minha vida tem sido assim, ou melhor, nossa vida tem sido assim. Nós temos vivido assim. O lazer tem sido pensar em como conseguir um trabalho melhor e ganhar mais. Enquanto isso vamos bolando planos para fazer sobrar mais dinheiro, para viver melhor, e ter como fazer mais coisas e comprometer mais ainda o dinheiro e depois repensar o plano para sobreviver um tantinho mais. Ufa! Corri e cansei nesse parágrafo.
Precisamos parar de correr pra que em algum momento sejamos capazes de flutuar sobre as coisas, ver do alto. Acordar bem, com vontade de sonhar um pouco mais. Ver os problemas bem pequenos enquanto sobrevoamos. Paremos então. A correria do dia-a-dia nos encaminha para buracos que nos assustam com o poder da escuridão com que nos engolem. Vamos caminhar, ou nossa história será de angústia em angústia entre as quedas que sofreremos.
Auto Ajuda? Que seja!
“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus…”




Cara texte tá massa. Esse rodrigo tem cada sacada..gostei muito cara..espero poder no pissivel viver sem correr e tentar viver!
E eu q achava q esse tipo de sonho só acontecia comigo. rs…
Mto bom. Tà de parábas!
Pow gostei mt dessa análise do sonho ehehe. O crônico é quase um José. Massa demais.
Mt interessante, eh muito semelhante à forma que penso, ao modo como defino “o viver”.