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	<title>Abrigo R15 &#187; cotidiano</title>
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		<title>Reflexões sobre uma educação transformadora</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 15:44:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Micael Silva</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em atenção à finalidade precípua da universidade, Cristovam Buarque alerta que no momento histórico que vivemos, existem dois caminhos para a Universidade: tornar-se partícipe de uma “modernidade técnica excludente” ou contribuir para forjar “uma modernidade ética”, que teria como missão imediata “evitar a destruição do planeta e a exclusão social”.
Tornar-se parte de uma modernidade técnica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em atenção à finalidade precípua da universidade, Cristovam Buarque alerta que no momento histórico que vivemos, existem dois caminhos para a Universidade: tornar-se partícipe de uma “modernidade técnica excludente” ou contribuir para forjar “uma modernidade ética”, que teria como missão imediata “evitar a destruição do planeta e a exclusão social”.</p>
<p>Tornar-se parte de uma modernidade técnica excludente significa cultivar a formação de profissionais, sem se preocupar com o desenvolvimento humano, a inclusão e a mobilização social. É a manutenção do status quo, onde os pais que possuem boas condições financeiras contribuem para que seus filhos adquiram o conhecimento para que alcancem o mesmo patamar e posição que obtiveram. Essa modernidade é excludente porque utiliza o conhecimento e a técnica para separar os capazes e os incapazes, os competentes e incompetentes, os vencedores e os perdedores, ignorando que a educação tem um poder especial de transformar a sociedade, de moldar mentes e de repartir conhecimento.</p>
<p>Esse tipo de proposta epistemológica também provoca uma padronização do conhecimento, sem permitir que as individualidades contribuam para formar um mosaico de saberes, diversificado e heterogêneo. Uma imagem que ilustra isso muito é videoclipe da música Another Brick in the Wall (Um outro tijolo no muro) da banda inglesa Pink Floyd. Nela, os alunos aparecem como robôs produzidos em larga escala e o muro representa o sistema que oprime a individualidade humana. A mensagem é bem clara: somos apenas mais um tijolo no muro, não podemos ser diferentes, temos que agir como todo mundo.</p>
<p>Nesse sentido, há uma fala muito interessante no filme Simplesmente Feliz (Happy-Go-Luck) de Mike Leigh. Na cena, um instrutor de auto-escola (Eddie Marsan) fala para a aluna (Sally Hawkins) que o sistema de ensino não desenvolve o lado direito do cérebro das crianças. Ele explica, o lado esquerdo do cérebro é responsável pelo pensamento lógico, pelo raciocínio, por guardar dados e informação; mas o lado direito é a individualidade, a morada da alma, é o que nos torna únicos. Pois o sistema nos passa um ensinamento velado: “Eu lhe darei uma visão de mundo e, se você for capaz de repetir essa visão, de reafirmá-la, você passará nos exames e irá mais alto e alto e alto, será um bom profissional, feliz e bem sucedido; contudo, se você pensar por si mesmo, se você pensar de fora da caixa, então falhará e e será infeliz”. É uma mensagem dura, mas com certo fundo de verdade.</p>
<p>Dessa forma, Buarque está certo ao afirmar que esse tipo de modernidade leva à ruptura do conceito de semelhança dos seres humanos.</p>
<p>Em contrapartida, a modernidade ética para a universidade significa dialogar com a realidade, captar as necessidades e tendências e formar cidadãos com pensamento crítico e participação nas questões que concernem ao mundo. É investir em desenvolvimento sustentável, em que as pessoas podem consumir com responsabilidade, levando em conta as questões ambientais. É permitir que pessoas “fora do padrão” possam ter acesso e contribuir com seu tipo de conhecimento. É apostar na cooperação e no conhecimento compartilhado, aliado às facilidades que a era da informação nos traz.</p>
<p>Portanto, é essencial que a universidade esteja pronta para ir além de entregar profissionais para o mercado de trabalho, para que faça jus ao seu nome, que faz alusão ao universo de identidades, de personalidades, de conhecimento, calcando-se na realidade que se apresentada e buscando a excelência através de desenvolvimento social através de educação e pensamento crítico.</p>
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