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	<title>Abrigo R15 &#187; medo</title>
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		<title>Sobre Monstros que moram perto demais</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 16:28:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>martapnsilva</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu sou de uma geração onde o medo era cultivado nas musicas de ninar, dormíamos pensando no bicho-papão, na cuca, enquanto o seu lobo não vinha&#8230; Depois de um tempo as crianças já conheceram um mal ainda mais próximo, e bem menos envolto em fantasia, as ameaças que tiram o sono vêm do Oriente Médio, com Bin Ladens e terrorismos, guerras e desacordos, vêm de crises econômicas que param o mundo, e de bombardeios e desastres que enchem os jornais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-605"></span>Esses dias, contudo, fui ao cinema assistir Lobisomem, preso em sua maldição, nas noites de lua cheia o homem-lobo deixa aflorar seus piores pesadelos, machucando quem ele ama, destruindo relacionamentos, matando inocentes, devastando cidades; fazendo com que eu pense: dessa vez onde está o tão temido inimigo? Na verdade&#8230; quão longe estamos da realidade monstruosa do lobisomem?</p>
<p style="text-align: justify;">Chego em casa e me deparo com programas como Big Brother, Solitary, Fazenda e etc, onde nos divertimos abertamente com a vida dos outros, julgamos, apontamos, antipatizamos, fazemos de tudo pra destruir o tal candidato que não gostamos, ou então simplesmente assistimos passivamente os participantes sofrerem, dando seu sangue por alguma quantia de dinheiro. Desde a Roma antiga é assim, o Coliseu, os cristãos, as feras e o povo rindo largo a cada ápice sangrento. Uma necessidade sádica que habita dentro de nós, adoramos ver o vizinho sofrer, o nosso sucesso não tem o mesmo gosto se não for proporcional ao fracasso do outro. Temos uma capacidade cruel dentro de nós de destruir relacionamentos por egoísmo, inveja, ciúme, orgulho&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Se os “monstrinhos inimigos” pareciam tão distantes de nós, agora parece que vivem escondidos dentro do nosso peito aguardando a oportunidade perfeita para nos virarmos uns contra os outros. Somos impacientes, adoramos respostas atravessadas, xingamos até por brincadeira, e deixamos precipícios enormes crescerem entre nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando me deparo com a porção de textos sobre relacionamento que existem na bíblia, percebo o quanto é realmente complicado viver entre pessoas, em comunidade. Mas, se sofremos ao ver o lobisomem sempre sozinho no fim da historia, se nos deprimimos ao nos deparar com nossas próprias garras que aniquilam tão facilmente ao próximo&#8230; que sejamos a resposta da pergunta que constantemente fazemos, sejamos então o resquício de bondade que tanto anelamos. Que possamos ser de fato o povo conhecido pelo Amor. E que no meio da tempestade do meu irmão, eu não simplesmente seja alguém que ri de sua desgraça, ou ate alguém que dá um tapinha nas suas costas dizendo que vai passar, mas que eu seja então, o que pega chuva com ele, o que sofre o frio e o medo dos trovoes pertos demais. Que a dor do meu próximo doa mais em mim, que a dificuldade do outro também seja a minha. E como um corpo, onde ate uma unha encravada faz tudo doer, que a nossa família seja coesa e sem hipocrisias&#8230; Esse monstrinho que vive dentro de nós pode ser destruído pela arma mais poderosa do mundo&#8230; o Amor.</p>
<p style="text-align: justify;">“amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” IJo 4:7</p>
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